História

 

FUNDAÇÃO
Em 28 de outubro de 1951, capitaneados por uma jovem bandeirante mineira chamada Maria Clara Machado, um grupo de artistas, intelectuais e sonhadores fundou O Tablado. A primeira sede do empreendimento – categorizado na ata de fundação como um “grupo de teatro amador” – estava bem de acordo com a singeleza dos objetivos: era uma sala cedida pelo Patronato Operário da Gávea, obra social (em atividade até hoje) direcionada a famílias menos favorecidas do bairro, espraiado numa das margens da idílica Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro.
Os fundadores do Tablado – citemos aqui os 16: Aníbal e Maria Clara Machado, Antônio Gomes Filho, Carmen Sylvia Murgel, Carlos Augusto Alves dos Santos, Eddy Rezende, Edelvira e Déa Fernandes, Isabel Bicalho, João Sérgio Marinho Nunes, João Augusto de Azevedo Filho, Jorge Leão Teixeira, Martim Gonçalves, Marília Macedo, Oswaldo Neiva e Stélio Emanuel de Alencar Roxo – jamais imaginariam que aquela semeadura daria tantos frutos.
De início, O Tablado se resumia a uma simples sala com um palco rudimentar (ainda assim, palco!), usada para apresentações teatrais amadoras e divertimentos sortidos. As cadeiras eram insuficientes para acomodar o público, mas o padre da igreja vizinha emprestava alguns bancos quando necessário. Só foi possível adquirir poltronas de verdade dali a três anos, com os borderôs do primeiro arrasa-quarteirão “tabladiano”: a montagem de Nossa Cidade, texto clássico de Thornton Wilder, protagonizada pela própria Maria Clara.
Em que pese o “amadorismo” pretendido inicialmente, décadas de invejável e apaixonado profissionalismo fariam do Tablado parte importante da história da cultura brasileira, seja como celeiro de talentos, seja como templo do teatro infantil.
O Tablado é hoje, sobretudo, uma escola de teatro, com cerca de 700 alunos e mais de 20 professores, atuante na formação de cidadãos de todo o Brasil.
É considerado Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro e seu espaço físico foi tombado pela Prefeitura carioca. Suas atividades artísticas também foram reconhecidas pelo Governo Federal.

PRIMEIROS SUCESSOS
Em 1955, com quatro anos de fundação, O Tablado levou ao palco, pela primeira vez, aquele que seria um de seus maiores sucessos: Pluft, o Fantasminha. O texto de Maria Clara Machado ganharia projeção internacional, sendo traduzido para diversos idiomas e encenado na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos. Nas últimas décadas, diversas montagens de Pluft têm legado ao Tablado incontáveis prêmios e homenagens. Mas o mais importante é que, a cada nova encenação, o fantasminha medroso de gente (e de mar também) encanta uma nova geração, permanecendo vivo, há mais de 60 anos, no imaginário de nossas crianças.
Outro espetáculo marcante nos primeiros anos do Tablado foi O Tempo e os Conways, de J. B. Priestley, que Geraldo Queiroz dirigiu em 1957 – sendo premiado como revelação pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais naquele ano. A participação da lendária atriz portuguesa Maria Sampaio na encenação, no papel da matriarca Mrs. Conway, também avalizava o prestígio conquistado pelo Tablado na cena carioca. Apesar de se autodenominar “teatro amador”, o grupo fundado alguns anos antes por Maria Clara Machado e sua turma era respeitado e escrutinado por toda a crítica teatral do período. Nomes importantes como Paschoal Carlos Magno, Paulo Francis, Eneida de Moraes, Yan Michalski e Carlos Drummond de Andrade publicavam suas análises das encenações tabladianas como se fossem realizadas por profissionais veteranos.

 
CADERNOS DE TEATRO
Em 1956, foi lançada a revista Cadernos de Teatro, um projeto caríssimo a Maria Clara Machado. As publicações contavam na época com o apoio do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura, ligado à UNESCO. O objetivo dos Cadernos de Teatro era tornar disponíveis para todo o Brasil informações relativas às artes cênicas, fornecendo material teórico para grupos amadores e atores iniciantes, principalmente aqueles que estavam longe das capitais. Ao longo de todos esses anos, foram publicados mais de 150 números. A coleção completa está disponível aqui no site, a espera do clique de todos.

AMADORES E PROFISSIONAIS
Em 1958, alguns integrantes do Tablado preferiram deixar o grupo para se profissionalizarem, uma vez que esse não era o desejo de Maria Clara Machado. Primeiro, saiu Martim Gonçalves. Depois, Carmen Sylvia Murgel, Geraldo Queiroz, Napoleão Muniz Freire, Claudio Correa e Castro e Emilio de Mattos, que formaram o Teatro da Praça.
Rubens Correa e Ivan de Albuquerque saíram para criar o Teatro do Rio, no Catete. Em 1964, iniciaram a construção de um novo espaço teatral (inaugurado em 1968) que se tornou famoso: o Teatro Ipanema.
Foram grandes perdas. Mas quem deixa O Tablado leva O Tablado consigo. Uma vez tabladiano, sempre tabladiano.
Para comemorar os 15 anos do Tablado, em 1966, Maria Clara Machado montou pela primeira vez um texto adulto de sua autoria: As Interferências. No elenco, estavam atores profissionais de berço tabladiano: Rubens Correa, Ivan de Albuquerque, Paulo Padilha e Jacqueline Laurence. O espetáculo era apresentado às segundas-feiras – único dia de folga, na época, das temporadas profissionais, que aconteciam de terça a domingo, com matinês nos fins de semana. Bons tempos!

 
O CURSO DE IMPROVISAÇÃO E O TEATRO INFANTIL
Com a saída de atores do Tablado para o mercado profissional, Maria Clara Machado sentiu necessidade de buscar e fomentar novos talentos. Assim, surgiram os Cursos Livres de Improvisação, em 1964. No princípio, somente Maria Clara dava aulas, duas vezes por semana. Tinha orgulho em dizer que formou muita gente talentosa. Com o passar do tempo, seus alunos se tornaram professores ou integrantes do grupo, em diversas funções. Cacá Mourthé, Thaís Balloni, Bernardo Jablonski, Carlos Wilson Damião, Sílvia e Cristina Nunes, Milton Dobbin, Sílvia e Ronald Fucs, Ada Chaseliov, Hamilton Vaz Pereira, Louise Cardoso, Guida Vianna, Sura Berditchevsky, Ricardo Kosovski, Lionel Fischer e José Lavigne – todos eles frequentaram as aulas de Maria Clara, entre fins dos anos 1960 e meados dos 1970. Dessa forma, “quase sem ninguém perceber”, como ela gostava de dizer, O Tablado se transformou. De grupo de teatro amador virou escola de teatro. E que escola!
Partidária do physique du rôle na escalação de elencos, Maria Clara foi levada a explorar as possibilidades do teatro infantil, já que a juventude de seus alunos-atores dificultava a montagem de textos clássicos, de repertório, que exigiam mais maturidade. Um ciclo “virtuoso” se estabeleceu: quanto mais alunos e turmas, mais peças saíam de sua imaginação, mais textos eram encenados. E maior era o sucesso.

 
SUCESSOS DA DÉCADA DE 1980
Na década de 1980, O Tablado realizou montagens de grande sucesso, que ajudaram a formar um novo público, para além do infantil – o público jovem.
Jovens na plateia e no palco: Hoje é Dia de Rock, 1980; Os Doze Trabalhos de Hércules, 1983; Nossa Cidade, 1984; e O Despertar da Primavera, 1986, marcaram a adolescência de muitos cariocas e revelaram uma nova geração de atores. Entre eles, Malu Mader, Maurício Mattar, Marcelo Serrado, Marcelo Novaes, Drica Moraes, Claudia Abreu e Enrique Diaz.

 
MOSTRA DE ESQUETES
Idealizada e produzida pelos ex-alunos Lincoln Vargas e Alex Oliva Junior, a Mostra de Esquetes do Tablado acontece anualmente desde 1998, ano em que a primeira edição veio à luz. A Mostra tem como objetivo criar um espaço de experimentação para os alunos do Tablado, que vivenciam todas as funções do fazer teatral – atuação, direção, produção, criação de figurinos, cenários e trilhas sonoras etc – ao levarem suas cenas para o palco.

 
A PARTIDA
Maria Clara Machado faleceu em 2001, ano em que O Tablado completou meio século de existência. Amorosa, firme, vibrante, Maria Clara foi mais do que a diretora do Tablado, mais do que a mestra maior do teatro infantil brasileiro. Foi catalizadora de uma vastíssima gama de talentos que passaram por lá, desde a fundação em 1951, e que engrandeceram a cultura do país, seja no teatro, no cinema ou na TV.
Esse espaço transcendente chamado O Tablado, morada de encenações, fantasias, sabedorias e muita arte, é mais do que uma escola ou um teatro. Virou marca reconhecida por sua excelência.
Maria Clara sabia que precisaria de uma mente visionária, dotada de mãos enérgicas, para dar continuidade a sua obra. A “passagem de bastão” se deu de forma natural, em 2003, quando sua sobrinha, discípula e xará Maria Clara Machado Mourthé, a Cacá, assumiu as rédeas desse maravilhoso cavalinho azul chamado O Tablado.

 
UMA GRANDE PARCERIA
O sonho de Clara se tornou o de Cacá, que assumiu a direção artística do teatro num ano cheio de significado: naquele 2003 foi decretado o tombamento provisório do Tablado, por reconhecimento de seu valor cultural.
Desde muito pequena, Cacá acompanhou a tia-mestra. Foi dirigida por Maria Clara inúmeras vezes, e compartilhou com ela a criação de textos e a direção de espetáculos. Juntas, escreveram Passo a Passo no Paço Imperial (1992), Tudo Por Um Fio (1994) e Jonas e a Baleia (2000).
Em 2016, o arco do tempo se dilatou mais um pouco: Cacá dirigiu pela primeira vez um texto de seu filho, o dramaturgo e diretor Pedro Kosovski. A encenação de Tãotão naquele palco histórico – e por que não mágico? – é uma prova de que a saga do Tablado está longe de acabar.

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