Aperte o Play! 00:00/00:00

VER MÚSICAS VER MÚSICAS

CONTATO

O TABLADO

Av. Lineu de Paula Machado, 795, Lagoa, CEP 22470-040, Rio de Janeiro, RJ

+5521 2294-7847

+5521 2259-7857

secretariatablado@globo.com

 

Horário de atendimento:

segunda à sexta: 14:30 - 19:30 e às terças também pela manhã: 9:00h às 10:30h

O Tablado

 

Maria Clara Machado é a grande idealizadora d’O Tablado. Liderou o teatro por longos 50 anos, construindo uma instituição teatral de peso e importância para as Artes Cênicas. 

 

FAMÍLIA

Nascida em Belo Horizonte, no ano de 1921, mudou-se para o Rio de Janeiro aos quatro anos. Aracy e Aníbal Machado tiveram cinco filhas, todas de nome Maria: Celina, Clara, Luiza, Ana e Ethel. Clara contava que dois fatos marcaram sua infância: a natureza, vivenciada na fazenda de seu avô paterno, Vírgilio, de quem guardava tenras lembranças, e a morte prematura de sua mãe, aos 28 anos, enquanto esperava seu sexto filho, um menino, que também faleceu. Nesta época, Clara tinha apenas nove anos. De uma nova união nasceu sua quinta irmã, Aracy, que se tornou professora d’O Tablado, onde dá aulas até hoje e sua filha, Maria Clara Mourthé, mais conhecida como Cacá, é a grande aprendiz e sucessora de Maria Clara Machado. O filho de Aracy e irmão de Cacá, emprestou seu nome ao menino mais famoso do repertório de Clara: Vicente não desiste de percorrer seu sonho e encontra, contra tudo e contra todos, o seu ‘cavalinho azul’. Para Maria Clara Machado a família era a base para a realização dos sonhos. Por isto, O Tablado transformou-se nesta grande família.

 

DOMINGUEIRAS DE ANÍBAL MACHADO

Aníbal Machado, pai de Maria Clara, era escritor, crítico literário e um agitador cultural. Amigo de inúmeras personalidades da elite intelectual e artística da época, mantinha em sua residência um encontro dominical. Grandes nomes passaram pela Visconde de Pirajá 487 e foi nesta atmosfera em que Clara cresceu. Nas conversações de sua casa: os escritores e poetas Albert Camus, Pablo Neruda, Murilo Mendes, Dante Milano, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Otto Lara Resende, Paulo Mendes Campos, Rubem Braga, João Cabral de Mello Neto, Adalgisa Nery, entre outros. Os artistas plásticos Ismael Nery, Di Cavalcanti, Goeldi, Guignard, Portinari, Fayga Ostrower, Glauco Rodrigues, Anna Letycia, e muitos mais. A atriz e diva Tonia Carrero e todos os futuros fundadores d’O Tablado. Esses são alguns dos nomes dentre as importantes personalidades que agitavam os domingos na casa de Maria Clara e Aníbal Machado.

 

BANDEIRANTES E A IGREJA CATÓLICA

As experiências bandeirantes levaram Maria Clara Machado por caminhos que a aproximaram do teatro. Através do bandeirantismo, também reviveu as aventuras na natureza pelo interior do Brasil, natureza que lhe marcara a infância. A ligação com a igreja católica a aproximou das senhoras do Patronato Operário da Gávea. Trabalhando também no Instituto Pestalozzi, começou a escrever histórias para o teatrinho de bonecos.

 

O TEATRO

Em 1950, Maria Clara Machado conseguiu uma bolsa para estudar teatro em Paris! Permaneceu por um ano na capital francesa, tendo estudado improvisação com o grande mestre Charles Dullin. Ao voltar para o Brasil, Maria Clara Machado, com muita vontade e entusiasmo para atuar, deu-se conta de que não tinha o mesmo problema de seus amigos atores franceses: a falta de palco! O Patronato da Gávea possuía um palco e Maria Clara já utilizava este espaço do Patronato para um trabalho de recreação com as crianças da região. Em 1951, juntou-se a outros jovens amigos, que fundaram o grupo de Teatro Amador O Tablado.

 

 
MESTRE DA IMPROVISAÇÃO

Quando voltou de Paris, além de se dedicar ao Tablado, convidada por Sadi Cabral, passou a ministrar improvisação no Conservatório de Teatro, hoje Unirio. Nasceu assim a Maria Clara Machado professora. Dulcina de Moraes, diretora de uma grande escola de teatro, também a convidou para lecionar em sua escola, muito importante na época. De 1964 a 2000, Clara ministrou aulas n’O Tablado. Desde turmas para adolescentes até aulas exclusivas para a terceira idade. Durante todos estes anos, formou inúmeros atores, professores e artistas de teatro.

 

 

A DRAMATURGA

Maria Clara Machado era atriz, professora e diretora. No entanto, seu reconhecimento nacional e internacional provém do exercício da escrita. Por todo Brasil e Europa, seus textos são reconhecidos. Crianças do interior do Piauí ou de Madrid, na Espanha, conhecem o fantasminha Pluft, que tinha medo de gente, e a bruxinha Angela, que era boa. Sem dúvida, destacam-se algumas peças: O Cavalinho Azul; A Bruxinha que era Boa; A Menina e o Vento;  O rapto das cebolinhas; Tribobó City; e Pluft, o Fantasminha, um clássico da dramaturgia infantil e o texto mais importante de seu repertório, que ganhou sua primeira montagem em 1955. A peça obteve enorme repercussão e aceitação, tendo sido encenada em várias cidades do Brasil e no exterior, traduzida em diversas línguas, como espanhol, alemão e francês. Maria Clara Machado e O Tablado ganharam inúmeros prêmios e homenagens com todas as montagens de Pluft ao longo destes anos. Cada nova encenação do texto do fantasminha, que tem tanto medo de gente e de mar também, encanta e comove uma nova geração de crianças. Da mesma forma que o fantasma se surpreende com a menina que derrama o mar todo pelos olhos, crianças e adultos se surpreendem com os medos e descobertas de Pluft.

 

A LITERATURA E O TEATRO

Maria Clara Machado dedicou sua vida ao Tablado e o resultado desta dedicação é a continuidade e a qualidade do grupo. Clara continua sempre viva ainda hoje nos espetáculos d’O Tablado, nos cursos livres e sempre que algum pequeno ou grande leitor folheia seus livros. Suas histórias encantam novas gerações de crianças e também aqueles espectadores que um dia vieram ao Tablado acompanhados de seus pais e agora trazem seus filhos e netos!